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Mostrando postagens de abril, 2020

CENA

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Cena de quarto, cena de quatro. Cena de cama, cena de prazer. Sentir a emoção do prazer, sem a racionalidade, sem a hipocrisia de sentir culpado de um pecado que não é devido. Corpos se encontram em entrega de prazer e orgasmo. Acelera-se a pulsação da vida os sentidos encontram seu  ponto de tangência; a vida se orna una, o sexo encontra sua plenitude.

O AMOR PODE TUDO

O amor tudo pode. O amor vence o tempo e o espaço. O amor compreende as fraquezas humana. O amor não envelhece, se solidifica com os anos. O amor é simplesmente amar sem medida.

O AMOR

O amor é tudo. Ele chora, ele ri, ele faz pirraça, ele sente solidão ele vibra, ele gera outra vida, ele se aborrece, ele sente tesão, ele faz história. Dedicar à vida ao outro, será sempre a  plenitude do  amor.

BOCA DE LIXO

Boca de lixo, depósito das escrotices, depósito de escárnios, depósito de maldizeres, depósito de besteiróis. Assim depositamos em sua boca o supra sumo do resumo das nossas idéias, de nossas vidas, de nossas alegrias, de nossos medos. Sua boca, não tem racionalidade, não tem preconceitos, não tem tabus, apenas deposito de tudo. De todos os tamanhos, de todas as formas, de todas as mentalidades, de odas as cores. Apenas depósito de tudo.

DESPERTAR

O sol nasce de mansinho despertando a criação num leve toque de luz. As flores com seus botões, abrem-se lentamente para alimentar abelhas e borboletas espalhando vida a odo planeta. Peixinhos brincam nas águas do riacho como crianças brincando com água. Bocas piam a espera do vôo que trará alimento. O ar ainda virgem, traz em seu colo a esperança de uma vida melhor. Frutas caem,para alimentar a todos que se achegam. Pardais brincam de fazer casinha ensinando que nem toda filosofia é lógica.

CAPITÃES DE AREIA

Capitães de areia capitães do trapiche. A noite, pegar as negrinhas da Bahia para satisfazer o prazer, prazer de viver, prazer de ser dos  Capitães de areia. Pedro Bala, líder dos moleques, encabeça a sobrevivência das criançadas que nunca tiveram lar. E que um dia será líder dos homens do cais numa  revolução de liberdade. Dentro dos Capitães nascem lideres, pintores, malandros, padre e  até mesmo uma  estrela que sempre brilhará para Pedro Bala; Dora,  irmã, noiva e  esposa dos  Capitães da Areia.

MINHA MULHER

Ela é bonita, ela é formosa, ela é carinhosa, ela é meiga. Eu a quero. Hoje, minha mulher me disse uma coisa bonita: nosso filho disse papai. E como homem chorei.

TEMPO

Tempo vai, tempo vem, passa tempo, tempo passa. Tempo, quero que passe, não depressa nem devagar, só quero que passes. Não quero ver o tempo passar, quero viver o tempo que passa.

SER POETA

Ser poeta. Saber brincar com as palavras. Saber dar vida a não vida. Saber encantar os outros com suas próprias fantasias. Profissão ingrata. Ingrata por envelhecermos nas próprias palavras. Ingrata por ter que dar forma e  ritmo a elas. Quanta rimas se imortalizaram. Poeta,tu és bem vindo a esta terra. Poeta, tu sabes o valor que te é dado. Poeta, tu és um simples poeta porque todos somos iguais. Vale a pena ser poeta?

MEU VÍCIO

Quero gritar ao mundo que gosto de você. Quero lhe dizer que  menti para você: não sou poeta! Apenas estou apaixonado  por você. Não quero mais escrever, quero apenas te beijar. Dane-se o mundo! Dane-se às pessoas! Dane-se os preconceitos! Quero apenas e beijar. Quero me embriagar para ter coragem de  dizer que  quero apenas te beijar. Meu vício é te amar demais. Minha úlcera é saber que não tenho você. Minha amargura é saber que você pertence a outro. Largo enão o papel e a caneta para embriagar-me na minha própria solidão.

PRÉ-PROGRAMA

Ás vezes saio a caminhar a esmo pelo centro da cidade de concreto. E tenho a certeza de que realmente somos prisioneiros desta evolução do homem. Sim, alguns ficam grudados que nem  carrapatos a um móvel quadrado que lig ado a uma corrente elétrica emite som e imagem durante horas e depois, vão dormir. Outros viajam pela boemia, pelos bailes. Cada um se diverte à sua maneira para simplesmente não ficar preso ao mono-concreto. A vida no concreto nos leva a obedecer horários pré-programados quando queremos deixar de ser pré-pro fazemos lazer pré-programados, criam-se centros culturais, criam-se salas culturais,  criam-se shopping centers, e o esmo transforma-se em programas.

Abre-se a orta, abre-se o dia. Escancara-se a sacanagem, brinda-se o prazer, brinda-se a morte. O corpo suado de tanto sexo. O orgasmo, o descanço do cansaço. Deus e diabo. Perdão e pecado. Redenção e condenação. Branco e preto. Dia e noite. Bem e mal lado a lado. Fé e descrença antagonizam a dor eterna da humanidade por séculos e séculos Amém.

VIDA DE BAR

Caminho por uma rua e entro em um bar qualquer de qualquer rua. - Senhor, me vê uma cerveja por favor! Um senhor já de idade, traz uma garrafa bem gelada e passa a servir-me. -Obrigado. Enquanto saboreio a cerveja, penso comigo: "quantos sambas se fizeram aqui ou quantos batuques surgiram ao sabor da loira e o bilhar rola com suas bolas coloridas e numeradas como vida. Alguns entram, enchem a cara e saem cambaleando ou  simplesmente compram o seu cigarro. Assim é a vida no bar." Que magia será essa no qual enfeitiça a todos nos fins de semana? Bilhar, cigarro, bebidas, samba, briga, rolam nas noites quentes. Assim é a vida de qualquer bar, de qualquer rua, de qualquer lugar. Como qualquer brasileiro, paguei a minha conta, saindo com o meu cigarro. Assim é a vida de um bar.

EU

Em meus noventa e dois anos de idade com meus ralos cabelos branco e minha vista curta qual o meu salário de  aposentado, resta-me somente ver meus netos, ver meus bisnetos, brincarem a minha frente. Saber que um  dia á fui: poeta, padre, artista, ator, filósofo e tudo o mais que eu pudesse imaginar. Hoje, rabisco estas poucas linhas ara lembrar-me que aindo sou  poeta, que ainda estou lúcido.

ROTINA

Quatro horas da manhã. Cinco horas da manhã. Seis horas da manhã. Triiimm,triimm... (e pimba, travo o despertador chato) depois fico quinze minutos sentado a beira da minha tão confortável cama. e deixo-me ficar tão a esmo que meu corpo enverga-se paulatinamente quase adormecendo... Zééé, tá na hora! E meu corpo quase que ímpetamente desperta da sua sonolência. Café com pão ( sem leite, tá caro) latinha na bolsa (será que vai azedar?) ônibus cheio, pra variar . Oito horas, ser peão ( aperto o botão e a máquina...) t-u-c,t-u-c,tuc,tuc... e de repente ... ooaaa... Meio dia, descanço da peãozada. Uma hora, ser peão de novo (chato né?) Três horas,um café com pãocom mortandela. Seis horas, deixar de ser peão. ( que alegria!) Depois de tomar um banho, arrumadinho, tomar uma "geladinha", ônibus cheio,pra variar ( entro arrumado e saio bagunçado, pra variar). Nove horas, começo o meu rango. Nove horas e quinze minutos, termino o meu rango, um copo d...

ESQUIZOFRENIA

Meu mundo é isso: um  cercado quadrado de capitalismo selvagem. Um cercado onde minha mente se limita a não pensar, a não fazer, a ficar no silêncio da ignorância. Tento buscar a sabedoria nos livros e encontro a morte, lenta. O dia amanhece e vou dormir.

POEMA

Conjugamos, desconjugamos, simplificamos, complicamos, objetivamos, subjetivamos. E tudo mais que a rima possa medir. E as nossas  chaves de ouro, os nossos  títulos e subtítulos para rotular aquilo que  chamamos de  poesia.

CIDADE DO INTERIOR

Cidadezinha do interior, entrar nela entrar no aconchego do lar. Pisar na terra, pisar nas lembranças da vida simples,  das poesias do interior, da cantiga de niná. Casa a casa conta a história da pequena gente. Andar nela é transformar-se em moleque, em um eterno romantico. Pão fresco, feito por gente simples e ver a manteiga derreter-se; cidadezinha, cidade do interior. Conversas simples transcorre-se entre as pessoas, entre os amigos. A serenata, a velha tradição do povo, continua a se reproduzir com a mesma fidelidade e simplicidade. para as donzelas e senhoras que se encantam e sonham com seu principe.

PROCURA-SE UMA POESIA

Cadê  a minha poesia? onde andará? quem a escondeu? Pobre poesia, ela gostava tanto  de mim. Mas hei de encontra-la nem que seja a última coisa que eu faça hoje. Não posso mais fazer poesia. Roubaram-me a inspiração. Porei nos jornais assim: "Procura-se uma poesia, cor morena, estatura mediana, não fala inglês, pois é carioca. Ligar para poeta solitário. Gratifica-se bem."

AS RIMAS

Metricamente vou fabricando as rimas, os versos, os tercetos, os quartetos e tudo mais que a rima possa medir. Os decasílabos, os dodecasílabos, os monosílabos, os parometros, os sílabos e tudo mais que rima possa medir. A tinta esvai-se. No branco, um borrado de preto, de vermelho, de azul e de todas as cores que possamos inventar. E tudo mais que a rima possa medir.

ELA

Quero lhe dizer que um dia encontrei uma mulher. Não havia nada a mais  em seu corpo que a tornasse diferente de tantas outras, assim como o dia é dia, assim com a noite é noite. E como num compasso lento, fomos executando uma sinfonia, sintonia de mesmo tom com pequenas alterações e vários contra-tempos; e descobrir com ela que o dia não é dia, que a noite não é noite, porque há poesia, porque há música.